Mais popular que o box
São Paulo – Um esporte antes marginalizado que caiu no gosto popular e
hoje reúne milhares de pessoas em volta de um octógono. As artes
marciais mistas, conhecidas como MMA e popularizadas pelo Ultimate
Fighting Championship (
UFC),
atingiram uma popularidade semelhante ao box, porém ganham no quesito
sucessos. Enquanto a participação brasileira no box sempre foi tímida, o
MMA conta com grandes nomes e muitos brasileiros no ringue.
O auge veio com a denominada “luta do século”, em fevereiro do ano passado, em que
Anderson Silva
nocauteou Vitor Belfort, em um confronto que durou apenas três minutos e
25 segundos. Desde então, a luta, um misto de diversas modalidades de
artes marciais, começou a ganhar espaço nas televisões em noites de
sábado, quando ocorrem os confrontos do UFC, bem como em academias, que
atraem cada vez mais alunos.
A novidade é que, antes procurado por lutadores com alguma
experiência em outras modalidades, o MMA hoje leva iniciantes, com
nenhuma prática em artes marciais, às aulas específicas. Existe de tudo
no mercado. Algumas academias se focam apenas em treinar atletas
profissionais, mas há espaço para amadores, que podem aprender as
técnicas sem ter nenhum contato físico. Por isso, em muitos lugares é
possível encontrar até mulheres e adolescentes treinando MMA. A melhora
no condicionamento físico, na resistência e no alongamento são
atrativos, além da possibilidade de queimar até 1,5 mil calorias em uma
hora e meia.
Há espaço, ainda, para produtores de materiais para esportes de
impacto que garantiram um crescimento nas vendas após a popularização do
esporte. Veja a seguir seis
pequenas empresas que têm se beneficiado dessa nova onda esportiva.
Forcefield
Uma pesquisa de mercado mostrou à dentista Nathalie Mikellides que
não havia protetores bucais de qualidade fabricados no Brasil. A partir
daí, com a ajuda de um investidor-anjo, a empresária desenvolveu o
produto. “Temos o mesmo princípio do vidro à prova de balas, só que com
várias camadas de uma liga específica”, explica.
O valor de um desses produtos, que protegem contra fortes impactos no
rosto e ainda podem ser personalidos, varia de 139 a 365 reais. São
mais de 200 dentistas parceiros em todo o país que fazem o molde da boca
do atleta – quando o cliente faz o pedido no site da Forcefield, recebe
o endereço e os contatos do profissional mais próximo – e enviam para a
fábrica, que leva cerca de 10 dias para entregar o protetor.
Após o primeiro UFC no Rio de Janeiro, em meados de 2011, Nathalie
destaca um aumento de 20% nas vendas. “Mas o crescimento é contínuo,
especialmente após conseguirmos ser o protetor oficial do reality show
da Globo”, conta a empresária, referindo-se ao The Ultimate Fighter, em
que duas equipes disputam um contrato com o UFC.
Spank
Com mais de 100 produtos associados a luta, a Spank completa três
anos no mercado em 2012 com um número expressivo em vendas. "Hoje meu
maior problema é não ter produtos suficientes para atender a demanda do
mercado”, destaca o fundador Ricardo Santana. Os itens mais vendidos são
luvas, protetores bucais e bandagens.
A empresa foi criada em 2009 pelo também proprietário da MMAShop,
especializada em venda de artigos de luta online. Santana acredita que
esse é um mercado em franca expansão, porque está deixando de ser
estigmatizado. “Estamos deixando de ser um nicho para sermos um
lifestyle. Esse é, inclusive, o slogan da nossa marca."
Além dos artigos mais conhecidos em lutas, também compõem a linha da
Spank camisetas, shorts, bonés, chaveiros e até kits infantis, com um
mini saco de pancada e uma luva de boxe.
MMAShop
Além de ofertar produtos para lutadores de diversas modalidades,
entre elas o MMA, o MMAShop oferece a possibilidade de alugar ringues e
octógonos para lutas. Entre os materiais disponíveis, a loja online
oferece os produtos necessários para prática de qualquer esporte de
combate e trabalha com mais de 30 marcas. Há desde shorts, protetores
bucais, luvas e bandagens, passando por sacos de pancada e chaveiros.
O proprietário da empresa, Ricardo Santana, sempre foi um apaixonado e
praticante de artes marciais. Após enfrentar muita resistência em casa,
por conta do preconceito pelo esporte, hoje ele é também consultor para
equipamentos do UFC.
Santana destaca que, após a chegada do UFC no Brasil, as vendas
começaram a fluir com mais facilidade. “Antes ser lutador era algo
estigmatizado, associado à marginalidade. O grande público começou a
aceitar com bons olhos e logo o esporte e o estilo de vida do MMA fará
parte da cultura brasileira”. As vendas triplicaram nos últimos dois
anos.
Academia Versus Fight Club
A popularização do MMA alcançou várias academias que se dedicavam a
artes marciais. Uma delas, a Versus Fight Club, viu a procura dos alunos
pela aula crescer 40%. Esse aumento começou a ser notado no último ano,
impulsionado pela luta que consagrou o esporte no país, entre Vitor
Belfort e Anderson Silva.
Segundo um dos sócios da academia, Fernando Rocha, o que mais
surpreende é o interesse de pessoas sem nenhum histórico com lutas.
“Antes, o aluno de MMA já praticava alguma outra arte marcial, mas agora
a procura é, inclusive, de quem nunca treinou”.
A aula recreativa de MMA tem 1h30 de duração e, com o condicionamento
máximo, pode queimar até 1,5 mil calorias. A mensalidade custa 130
reais e a turma, ainda única, tem 17 alunos. “Todos os dias tem gente
que vem assistir a uma aula ou participar experimentalmente”, conta
Rocha que avalia a abertura de outra turma da modalidade. Além da turma
recreativa, a academia patrocina 4 atletas que treinam
profissionalmente.
Pretorian Hard Sports
Há 45 anos no mercado, a Pretorian desenvolve e fabrica equipamentos
para esportes de contato que visam melhorar o desempenho do atleta. As
linhas são dividas para atender diversos níveis de utilização, desde
atividades recreativas até treinamentos de alto desempenho para
profissionais.
Os produtos são feitos em 10 fábricas no Brasil. Alguns itens são
trazidos da Ásia. Hoje são mais de 4 mil pontos de venda em todo o país.
Entre os produtos mais vendidos estão sacos de pancada, luvas e
aparadores de chute.
Segundo a empresa, o UFC tem impulsionado o crescimento do MMA no
mundo e isso abre caminho para as empresas que atuam no segmento. Em
meio à popularização do esporte, a empresa mantém um ritmo constante de
crescimento há quatro anos.
Rudel
No início das atividades, em 1991, a produção era de acessórios civis
e paramilitares. De lá pra cá, a empresa praticamente revolucionou sua
atuação, primeiro ao incorporar a produção de acessórios de fitness e
depois, em 2007, ao entrar no segmento de lutas. “Vamos lançar ainda
mais produtos voltados ao MMA. A ideia é aproveitar essa onda”, destaca o
presidente da Rudel, Mario Garcia.
As luvas de combate para box e MMA estão entre os produtos mais
vendidos. A comercialização ocorre ou via atacado, por meio de
representantes, ou pelo próprio site da empresa.
Após a incorporação da linha fight, a empresa apresenta um
vertiginoso crescimento. Só no ano passado, quando o MMA começou a virar
febre nacional, a Rudel lucrou 36,24% a mais do que em 2010. Parta esse
ano a expectativa é de um crescimento também na casa dos 30%.